Estamos vivendo um momento de transição, onde as tarefas repetitivas são feitas por máquinas, onde textos são editados e revistos por IA, onde obter informações sobre qualquer tema, depende de dois ou três toques na tela do celular – e ainda continuamos exigindo dos nossos estudantes memorizar fórmulas de física e matemática para fazer uma prova de ingresso no Ensino Superior.
Essa é a realidade das provas do ENEM. Despejamos nos jovens uma série de informações que podem ser obtidas sem o menor esforço e exigimos que decorem todas para enfim chegarem a uma universidade, mas não conseguimos fazer com que entendam de forma clara e analítica um texto da nossa própria língua. Está claro porque estamos entre os 20 piores países em desempenho no último exame do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Programme for international Studant Assessment) PISA.
Quando em 2017, o então presidente do Conselho Federal de Educação, Prof. Eduardo Deschamps falou das novas perspectivas a respeito do Ensino Médio e das possíveis mudanças de rumo na metodologia, saindo de uma passividade acadêmica Industrial para metodologias ativas, com as quais teríamos finalmente a possibilidade de colocar o aluno no centro do processo educacional, víamos uma luz no fim do túnel.
No caso, a mudança para o Novo Ensino Médio nos dava uma centelha de esperança em relação à formação de jovens mais autônomos, com mais capacidade de criação do que de reprodução, propiciando-lhes a oportunidade de escolha no seu destino acadêmico. Tirando o foco do Ensino Industrial, em que todos devem aprender o mesmo conteúdo concomitantemente e dando protagonismo de escolha ao estudante. Estávamos diante de uma grande oportunidade de sairmos de um profundo poço cultural no qual nos encontramos.
Infelizmente nada aconteceu na esfera pública:
O Governo não se preparou, professores não se interessaram em reciclagem e aprendizado de novas metodologias e pais não foram devidamente estimulados a entender as mudanças que fatalmente elevariam o nível de preparação de seus filhos frentes as exigências do Séc. XXI.
Me causa profunda tristeza, como professor e educador há mais de quatro décadas, verificar que após seis anos de idas e vindas (considere-se aí a pandemia que atravessou no nosso caminho de uma forma devastadora, causando uma verdadeira tragédia silenciosa na educação global), o NEM ainda esteja sendo discutido.
Caros governantes, os senhores precisam entender que educação tem que ser tratada como prioridade de ESTADO e não de GOVERNO.
José Drummond
Gestor Educacional





